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Fotografias:
Pedro Gravatá
Iomar Bragança
Rodrigo Dai

Ana Soares



 

 


Novidades Inhotim - NOVAS GALERIAS

A partir de agora, pequenos carros elétricos serão necessários para levar o visitante à viagem sensorial e estética no meio da mata e em áreas descampadas, onde as atrações foram instaladas.

 



O impacto no setor artístico nacional tem tudo para ser parecido com o da inauguração. As novidades poderão ser vistas pelo público a partir de 1º de outubro.

Os espaços oferecerão diferentes experiências. O americano Doug Aitken inventou uma construção circular no alto de um morro para “amplificar” o som do interior da terra, captado por microfones a 200 metros de profundidade.

“É um som diferente. Grave, lembra água”, antecipa o assistente de produção Diego Penido. A dupla canadense Janet Cardiff e George Bures Miller ganhou um pavilhão para instalar ambiente sonoro inspirado na gravura O sono da razão produz monstros, feita em 1799 pelo pintor e gravador espanhol Goya. O americano Matthew Barney levou um trator para as ruas de Salvador, no Carnaval de 2004, como se puxasse um bloco.

A performance virou o vídeo De lama lâmina, parte integrante do acervo do Inhotim. O trabalho continua reverberando: foi construída estrutura gigante em formato de bolhas translúcidas, no meio da mata, para abrigar o trator.

Obra sem título, do artista paulista Edgard de Souza, outra novidade em Inhotim Uma pequena casa de fazenda, a mais antiga construção do museu, de 1874, foi recuperada para abrigar a obra da mineira Rivane Neuenschwander. No forro aparente do teto estarão milhares de bolinhas de isopor movendo-se aleatoriamente ativadas por circuladores de ar. Outra mineira que ganhou espaço próprio foi Valeska Soares. O pavilhão da artista, em formato octogonal, com paredes externas e internas espelhadas, cumprirá dupla função. Do lado de fora vai capturar imagens do meio ambiente no entorno. Do lado de dentro, cenas fantasmagóricas de um vídeo também serão refletidas.

A expansão do museu contemporâneo se completa com as obras a céu aberto. O paulista Edgard de Souza usou o próprio corpo como inspiração para três esculturas em poses abstratas colocadas no jardim. A japonesa Yayoi Kusama espalhou 500 esferas brilhantes de aço inoxidável nos espelhos d’água, na cobertura do Centro Educativo Burle Marx.

 

Beam Drop Inhotim, 2008 - Chris Burden - Inhotim - Brazil

A mais impressionante instalação foi feita pelo norte-americano Chris Burden.

No alto da montanha foram jogadas, aleatoriamente, de 45 metros de altura, por um guindaste, 71 vigas de aço em uma vala cheia de cimento fresco.

O resultado propõe algo como a desconstrução da escultura moderna. Completa o conjunto o trabalho do argentino Jorge Macchi, que foi convidado a criar, em três dimensões, uma de suas aquarelas.

 



Galeria ao ar livre mostra sons que vêm do centro da Terra

A estradinha de chão nos leva ao teto de Minas Gerais, região super montanhosa, há 60 quilômetros de Belo Horizonte. Em uma montanha, dentro de uma construção redonda, foi feito um buraco para revelar o que sempre foi uma das grandes curiosidades do ser humano: os sons que vêm do centro da Terra.

A obra de arte demorou cinco anos para ficar pronta. Foi feita com aço, vidro e pedras. Bem no meio da instalação, está o buraco que liga a superfície às profundezas do planeta. Os sons que vêm debaixo saem amplificados em alto volume em caixas. O barulho é captado 24 horas por dia e muda a todo instante. Para o organizador da exposição, as variações do som levam a uma conclusão: a Terra fala.

“O som também muda de hora para hora. Agora ele parece bastante manso e tranqüilo, mas tem outras que ele vira violento e barulhento”, afirma o organizador da exposição, Jochen Volz. Em termos de largura, o buraco não impressiona tanto. São cerca de 25 centímetros, o tamanho de um prato. O que chama a atenção mesmo é a profundidade: 202 metros. É a altura de 20 prédios - um em cima do outro - com três andares cada. Em um quartinho, está toda a parafernália usada na obra de arte. O barulho é captado por cinco microfones que para descer tão longe tiveram que ser protegidos para passar pelo lençol freático e por infinitas rochas perfuradas. “Temos quilômetros de fios de áudio, de cabos de aço para sustentarem esses microfones.

Apesar de pequenos, é uma longa distancia, então os cabos pesam muito”, afirma o direto técnico do museu, Lucas Sigefredo. O que se ouve em cima é a mistura dos sons captados pelos cincos microfones especiais instalados embaixo. A invenção é do premiado artista americano Doug Aitken, que tem outras obras espalhadas pelo mundo, como “Sleepwalkers”, "Os Sonambulos" exibido na fachada do Museu de Arte Moderna de Nova York, dois anos atrás. A de Minas Gerais foi batizada com o nome de “Som da Terra”. Foi construída em Inhotim, a maior galeria de arte contemporânea ao ar livre do mundo. Idéia de um rico industrial que, em vez de agricultura ou pecuária, decidiu implantar em sua fazenda um marco importante no roteiro artístico nacional. “Esse Brasil merece ser visto lá fora como um país inteligente. E não como um país que compra inteligência“, diz o dono do Centro de Arte Inhotim.

Setenta obras de artistas de 20 países estão expostas. Inhotim agora reúne a arte e o som que vem do interior do planeta.

Fonte: http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1329186-15605,00.html

 

 

 

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