Fotografias:
Pedro Gravatá
Iomar
Bragança Rodrigo Dai
Ana Soares
INHOTIM - NOVAS GALERIAS
Galeria ao ar livre mostra sons que vêm do centro da Terra
A estradinha de chão nos leva ao teto de Minas Gerais, região super montanhosa, há 60 quilômetros de Belo Horizonte. Em uma montanha, dentro de uma construção redonda, foi feito um buraco para revelar o que sempre foi uma das grandes curiosidades do ser humano: os sons que vêm do centro da Terra.
A obra de arte demorou cinco anos para ficar pronta. Foi feita com aço, vidro e pedras. Bem no meio da instalação, está o buraco que liga a superfície às profundezas do planeta. Os sons que vêm debaixo saem amplificados em alto volume em caixas. O barulho é captado 24 horas por dia e muda a todo instante. Para o organizador da exposição, as variações do som levam a uma conclusão: a Terra fala.
“O som também muda de hora para hora. Agora ele parece bastante manso e tranqüilo, mas tem outras que ele vira violento e barulhento”, afirma o organizador da exposição, Jochen Volz. Em termos de largura, o buraco não impressiona tanto. São cerca de 25 centímetros, o tamanho de um prato. O que chama a atenção mesmo é a profundidade: 202 metros. É a altura de 20 prédios - um em cima do outro - com três andares cada. Em um quartinho, está toda a parafernália usada na obra de arte. O barulho é captado por cinco microfones que para descer tão longe tiveram que ser protegidos para passar pelo lençol freático e por infinitas rochas perfuradas. “Temos quilômetros de fios de áudio, de cabos de aço para sustentarem esses microfones.
Apesar de pequenos, é uma longa distancia, então os cabos pesam muito”, afirma o direto técnico do museu, Lucas Sigefredo. O que se ouve em cima é a mistura dos sons captados pelos cincos microfones especiais instalados embaixo. A invenção é do premiado artista americano Doug Aitken, que tem outras obras espalhadas pelo mundo, como “Sleepwalkers”, "Os Sonambulos" exibido na fachada do Museu de Arte Moderna de Nova York, dois anos atrás. A de Minas Gerais foi batizada com o nome de “Som da Terra”. Foi construída em Inhotim, a maior galeria de arte contemporânea ao ar livre do mundo. Idéia de um rico industrial que, em vez de agricultura ou pecuária, decidiu implantar em sua fazenda um marco importante no roteiro artístico nacional. “Esse Brasil merece ser visto lá fora como um país inteligente. E não como um país que compra inteligência“, diz o dono do Centro de Arte Inhotim.
Setenta obras de artistas de 20 países estão expostas. Inhotim agora reúne a arte e o som que vem do interior do planeta.
Em outubro, Inhotim ganha novos pavilhões e instalações.
Prestes a completar três anos de funcionamento, Inhotim, o museu de arte contemporânea de Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, prepara sua mais ambiciosa expansão. Serão cinco novos pavilhões e quatro grandes instalações em espaços abertos que quase duplicarão a atual área.
A partir de agora, pequenos carros elétricos serão necessários para levar o visitante à viagem sensorial e estética no meio da mata e em áreas descampadas, onde as atrações foram instaladas.
O impacto no setor artístico nacional tem tudo para ser parecido com o da inauguração. As novidades poderão ser vistas pelo público a partir de 1º de outubro.
Os espaços oferecerão diferentes experiências. O americano Doug Aitken inventou uma construção circular no alto de um morro para “amplificar” o som do interior da terra, captado por microfones a 200 metros de profundidade.
“É um som diferente. Grave, lembra água”, antecipa o assistente de produção Diego Penido. A dupla canadense Janet Cardiff e George Bures Miller ganhou um pavilhão para instalar ambiente sonoro inspirado na gravura O sono da razão produz monstros, feita em 1799 pelo pintor e gravador espanhol Goya. O americano Matthew Barney levou um trator para as ruas de Salvador, no Carnaval de 2004, como se puxasse um bloco.
A performance virou o vídeo De lama lâmina, parte integrante do acervo do Inhotim. O trabalho continua reverberando: foi construída estrutura gigante em formato de bolhas translúcidas, no meio da mata, para abrigar o trator.
Uma pequena casa de fazenda, a mais antiga construção do museu, de 1874, foi recuperada para abrigar a obra da mineira Rivane Neuenschwander. No forro aparente do teto estarão milhares de bolinhas de isopor movendo-se aleatoriamente ativadas por circuladores de ar. Outra mineira que ganhou espaço próprio foi Valeska Soares. O pavilhão da artista, em formato octogonal, com paredes externas e internas espelhadas, cumprirá dupla função. Do lado de fora vai capturar imagens do meio ambiente no entorno. Do lado de dentro, cenas fantasmagóricas de um vídeo também serão refletidas.
A expansão do museu contemporâneo se completa com as obras a céu aberto. O paulista Edgard de Souza usou o próprio corpo como inspiração para três esculturas em poses abstratas colocadas no jardim. A japonesa Yayoi Kusama espalhou 500 esferas brilhantes de aço inoxidável nos espelhos d’água, na cobertura do Centro Educativo Burle Marx.
Beam Drop Inhotim, 2008 - Chris Burden - Inhotim - Brazil
A mais impressionante instalação foi feita pelo norte-americano Chris Burden.
No alto da montanha foram jogadas, aleatoriamente, de 45 metros de altura, por um guindaste, 71 vigas de aço em uma vala cheia de cimento fresco.
O resultado propõe algo como a desconstrução da escultura moderna. Completa o conjunto o trabalho do argentino Jorge Macchi, que foi convidado a criar, em três dimensões, uma de suas aquarelas.
Muito
além da arquitetura convencional dos museus urbanos e parques
de escultura, Inhotim espera oferecer aos artistas a oportunidade
para sonhar e produzir obras de grande escala e complexidade. Alguns
desses trabalhos já estão em desenvolvimento com as
artistas Doris Salcedo e Adriana Varejão.
Meio
Ambiente
Além da sua harmonia e porte expressivo, o jardim de Inhotim
possui relevância como centro de pesquisa e educação
ambiental. São 350 mil m² de jardins - parte deles criada
com a colaboração do mestre paisagista Roberto Burle
Marx (1909-1996) - com uma extensa coleção de 1.600
diferentes espécies ornamentais nativas e exóticas
e 30 mil m² de lâmina dágua divididos em
três lagos.
A
família Palmae é predominante, com destaque para Raphia
farinifera, palmeira ráfia de origem africana, os conjuntos
de Butia eryospatha e a tamareira. O conjunto desta última
representa uma dos maiores coleções plantadas do Brasil.
Também é expressiva no jardim a família Liliácea
e a Beucarnea recurvata, conhecida popularmente como pata-de-elefante.
Igualmente uma das maiores coleções plantadas do Brasil.
Inhotim
é uma instituição comprometida com o Meio Ambiente.
Na manutenção dos jardins é utilizado manejo
baseado em produtos biológicos e toda água captada
e utilizada nos sistemas de abastecimento, irrigação
e piscicultura é devolvida à natureza livre de contaminação.
Em uma área de 1200 Ha de Mata Atlântica no entorno
do jardim, Inhotim desenvolve programas para a preservação
e recuperação da cobertura vegetal. Inhotim mantém
convênio técnico-científico com o Sítio
Roberto Burle Marx-IPHAN/MinC, no Rio de Janeiro, e promove programas
de educação ambiental para os jovens da comunidade
onde está inserido.
Educação
A
coleção artística de Inhotim e o acervo do
Parque Botânico são utilizados sistematicamente para
projetos de arte educação e para a formação
de profissionais de áreas ligadas a arte e meio ambiente.
O
núcleo de arte educação na instituição
tem promovido parceriais com instituições de ensino,
mobilizando estudantes de arte para o atendimento de visitas monitoradas
para público escolar da rede pública e particular.
Com foco na área ambiental, Inhotim promove o programa Jovens
Jardineiros, que envolve crianças e adolescentes da comunidade.
O projeto introduz este público no ofício de jardinagem,
com atividades de identificação e catalogação
de espécies, aulas de noções de meio ambiente
e estudo e manejo de plantas ornamentais. A idéia é
desenvolver a consciência ambiental dos jovens e, ao mesmo
tempo, apresentar a possibilidade de um campo de trabalho.
Curadoria
A
curadoria de Inhotim é composta por Allan Schwartzman, Jochen
Volz e Rodrigo Moura.
Allan
Schwartzman é um dos fundadores New Museum, em Nova York.
Foi crítico de arte de várias publicações
internacionais, como The New York Times e Artforum International.
Atualmente trabalha como consultor para coleções particulares
nos Estados Unidos, entre elas a Marieluise Hessel Collection.
Jochen
Volz é formado em História da Arte. Foi curador do
Portikus, em Frankfurt, entre 2001 e 2004. É curador convidado
da 27ª Bienal de São Paulo. Como crítico de arte,
colabora para publicações internacionais.
Rodrigo
Moura é jornalista, editor e crítico de arte. Foi
curador (2003-2006) do Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte.
Localização:
Inhotim
está localizado no município de Brumadinho, a 60 km
de Belo Horizonte (aproximadamente 1h15 de viagem). Acesso pelo
km 640 da BR-381 sentido BH-SP.
Atendimento semanal (Call Center):
Segunda a sexta-feira de 08:00 ás 17:00, através do telefone:
(31) 3227-0001.
Com
duração de uma hora e oferecidas a todos os visitantes.
Essas visitas enfocam áreas específicas de Inhotim
e partem de diferentes pontos do museu em horas pré-determinadas.
Visitas
Especiais Orientadas
Para
grupos maiores de até 25 pessoas, com reserva antecipada
e duração de duas horas e meia. Essas visitas contam
com orientação de educadores das áreas de arte
contemporânea e meio ambiente.
Visitas
Educativas
Inhotim
cadastra escolas para participar de sua ação educativa,
oferecendo atividades a professores e alunos.
Circuito Veredas do Paraopeba - Minas Gerais (Brumadinho, Bonfim, Moeda, Rio Manso, Belo Vale, Igarapé) Casa Branca, Piedade do Paraopeba, Inhotim e região