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Viajando no tempo: um pouco da história da Fazenda Boa Esperança em Belo Vale/MG
Por Luana Carla Martins Campos

Vista da fachada da Fazenda Boa Esperança.Hoje vamos falar sobre um belo exemplo do nosso patrimônio: a Fazenda Boa Esperança, uma das mais antigas propriedades rurais localizada no vale do Rio Paraopeba, águas que também banham o município de Brumadinho. Convido os leitores a trilharmos juntos os caminhos desta história!

A Fazenda Boa Esperança está localizada no povoado de Nossa Senhora da Boa Morte no município de Belo Vale em Minas Gerais.



Por ser representante de aspectos importantes da nossa história, é um bem que foi tombado em âmbito federal no ano de 1959, ou seja, recebeu proteção legal pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) para que fosse preservado e, conseqüentemente, pudesse ser desfrutado pelas gerações futuras.

A Fazenda da Boa Esperança é uma grande edificação composta por 25 cômodos, incluindo uma pequena capela interna. Em seu entorno existem quintais e jardins demarcados por muros, um moinho, vestígios de um engenho e outras construções identificadas como depósitos e uma senzala. Trata-se de um sobrado, modelo típico da arquitetura rural mineira, cuja construção foi iniciada provavelmente em fins do século XVIII com obras concluídas no ano de 1822. É possível que sua capelinha ricamente decorada tenha sido criada pelo escultor português Francisco Viera Servas e pelo Mestre Ataíde, famosos artistas das Minas Gerais.

Distante 6km da atual sede municipal de Belo Vale, a Fazenda Boa Esperança ainda hoje, conta-nos sobre como se processava as atividades de agricultura e mineração que fizeram do território do nosso atual Estado terras tão cobiçadas pelos portugueses durante os períodos colonial e imperial.

A Fazenda era propriedade do Coronel Romualdo José Monteiro de Barros que, mais tarde, tornou-se o rico e renomado Barão do Paraopeba. Sabe-se que além dele ter se envolvido com questões políticas, o Coronel foi minerador, agricultor e industrial, já que foi um dos fundadores da Usina Patriótica em Congonhas, uma das primeiras fábricas de fundição de ferro do Brasil criada no ano de 1811. De lá para cá, o ferro passou a ser um dos principais produtos de exportação de Minas Gerais.

Desenho da fachada da Fazenda Boa Esperança.Autoria anônima.Sem data. In: MARTINS, Tarcísio. Fazenda Boa Esperança – Belo Vale. Belo Horizonte: Formato, 2007, p.20.
Quanta coisa antiga, não é mesmo? Mas o que se produzia na Fazenda Boa Esperança nós conhecemos bem, pois ainda faz parte da deliciosa mesa dos mineiros: o arroz, milho, feijão, rapadura, aguardente, ovos, leite, carne de boi e de porco, farinha de mandioca, manteiga e queijo.


Tudo isto era transportado em carros de boi ou em tropas de animais que transpunham a Serra da Moeda em direção aos principais centros consumidores, a exemplo de Vila Rica (Ouro Preto).

Para facilitar um pouco esta lida, os escravos construíam estradas de pedras que eram utilizadas para facilitar a passagem de caravanas pelos pontos mais íngremes das montanhas. Dentre estas e outras tarefas, existem documentos que apontam que na propriedade do Barão do Paraopeba chegaram a trabalhar cerca de 213 escravos!

É importante lembrar que estes caminhos que cortavam a Serra da Moeda já haviam sido traçados pelos índios, primeiros moradores do Brasil. Os colonizadores aproveitaram estes trilhos para construir as calçadas. Alguns destes caminhos eram tão freqüentados que se transformaram em trechos dos trilhos de trens que, posteriormente, foram abandonados devido à abertura das atuais estradas de rodagem.

A associação de todos esses elementos presentes na dinâmica da Fazenda Boa Esperança aponta para a grande influência do Barão de Paraopeba no contexto social dos séculos XVIII e XIX. Sua autoridade foi calcada na formação de uma expressiva fortuna, cujo testemunho pode ser ainda hoje visualizado no casarão presente nos contrafortes da Serra da Moeda.

Assim, não resta dúvidas quanto à consideração da importância da Fazenda Boa Esperança como um exemplar do nosso patrimônio cultural.

É um bem que traz à tona aspectos tangíveis e intangíveis, materiais e imateriais, da história da região, do Estado e mesmo do Brasil. Ficou com vontade de visitá-la?

Conheça o nosso patrimônio para que ele seja preservado!

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Artigo para o caderno “Por Dentro do Vale” do “Tribuna – Jornal da ASMAP” Outubro de 2009

Por Luana Carla Martins Campos

Licenciada e Mestre em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Contato: luanacmc1@hotmail.com

 

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